segunda-feira, 21 de março de 2011

Artigo

A CRIANÇA HOSPITALIZADA E SUAS FRAGILIDADES
Gicele Faissal de Carvalho
MESTRE em ensino de ciências e saúde do ambiente
Professora do curso de graduação em PEDAGOGIA do UNIFESO

Neste espaço de diálogo, vale ressaltar algumas considerações voltadas especialmente ao escolar em ambiente hospitalar, cuja realidade se evidencia na fragilidade emocional causada pela sua enfermidade.
A situação de crianças, em idade escolar, submetidas à hospitalização, sempre traz uma implicação além da debilidade em que se encontra e pede que esforços sejam direcionados para que as crianças sejam amparadas psicologicamente elevando sua auto estima.
O que se verifica na prática é meramente um cuidado assistencial, que vai muito longe do que a criança necessita e espera. O carinho através de uma leitura, de um momento lúdico ou mesmo de uma prática escolar, vai de encontro ao que ela quer para esquecer por uns momentos, a sua doença.
Muitas atividades podem ser realizadas nesse contexto que agradam não só as crianças, mas envolvem os responsáveis que as acompanham. Nós, professores e estudantes do Curso de Pedagogia do UNIFESO temos desenvolvido no HCTCO, como projeto do Grupo de Estudos Independentes de Pedagogia Hospitalar, atividades que promovem a interatividade com as crianças e seus acompanhantes.
A Pedagogia Hospitalar é uma oportuna e importante contribuição na luta incessante pela qualidade de vida, na busca de novos e específicos conhecimentos que levados às crianças internadas, transformam o ambiente hospitalar em local de saúde e educação.
Assim, a integração dos vários profissionais que atuam no hospital, contribui na aproximação dos sujeitos e na cooperação para que haja de forma totalizante um clima favorável à realização de atividades que compreendam os problemas sociais e emocionais do hospitalizado e de sua família, frente às situações delicadas envolvendo o trinômio saúde-doença-hospitalização.
Em muitos casos, a escuta pedagógica, um diálogo que vai até o coração, ameniza não só as dores físicas, mas concede à mente a paz e o estado psíquico que o corpo necessita, e se refere além da apreensão de vozes e sons audíveis.
Trata-se de conceder ao hospitalizado a disponibilidade de estar com ele e para ele, compartilhando a dor, por meio do diálogo e da escuta atenciosa. Dialogar, saber ouvir e saber falar, quando e com quem e como falar. Este é o grande segredo da escuta pedagógica. Humanizar a conversa, respeitar alguém fragilizado, perceber num gesto de amizade, um conforto, uma atenção, uma palavra, um sorriso, uma esperança ou a explicação de uma situação grave, com delicadeza.
A fragilidade é grande, no corpo e na mente e a humanização se não se fizer presente no cuidado, no toque, nas atividades interativas já tão distanciadas pela enfermidade, não proporciona a recuperação a curto prazo.
O cenário é novo e atípico e os pais e professores que participam com a criança daquele enredo que nem sempre tem um final feliz devem se dispor, devidamente habilitados a participar desse momento, em que ela é o centro das atenções.
Sendo assim, o trabalho com as brincadeiras e as que desenvolvem certas habilidades, como desenho e pintura, torna-se humanizador na medida em que supre as carências afetivas e escolares, tão importantes naquele momento em que o afastamento do convívio social - família e escola – soma-se ao tratamento da afecção.
É exatamente este o ponto essencial que incentiva ações voluntárias ou profissionais a se engajarem a movimentos em ambientes hospitalares, reforçando a necessidade de investimentos humanos e financeiros que trabalhem em prol da melhoria da enfermidade das crianças fragilmente hospitalizadas.

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